Baby Girl: é tudo sob controle
- Lucas Ávila
- 11 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2025
E se eu te disser que em uma relação abusiva o papel da vítima também pode ser um lugar de poder?
Foi exatamente essa a sacada que eu tive quando eu assisti o tão comentado Baby Girl (2024), estrelado pela magnífica Nicole Kidman em sua atuação como Romy, uma CEO bem sucedida e sedenta por controle e poder.

O longa não retrata muito bem o contexto histórico da personagem, mas entende-se que ela travava um conflito interno contra algo que há muito lhe perseguia: sua fantasia, o seu próprio desejo.
Ela passa a ter um caso com um de seus estagiários, um jovem bastante perspicaz, dono de si, provocativo e de conduta um tanto quanto invasiva.
O risco parecia ser o preço a pagar e aparentemente valia a pena. Era nele que habitava a fonte de prazer em ser encurralada, dominada, submissa... Sim ele gostava de mandar e ela de obedecer. Talvez fosse esse o motivo de tanto controle nas demais áreas da sua vida.

Mas era preciso uma alma muito jovem e desapegada pra dar conta da sua verdadeira forma de sentir prazer, socialmente incompreendida e sujeita à humilhação.
É bem provável que Romy fosse escrava da própria fantasia, ou protagonista (?). Mas o controle inevitavelmente se perdia. Quanto mais ela lutava, mais ela se afastava daquilo que era importante:
sua carreira
a intimidade com seu marido
o senso crítico sobre os próprios atos
E é curioso como os sintomas simplesmente amenizaram quando ela finalmente decide revelar o seu segredo. A culpa era tremenda, mas não mais do que os sentimentos do esposo.
E foi nesse movimento de abertura de ambos os lados que uma curiosidade veio à tona. Uma forma mais gentil e amorosa de olhar pra tudo isso.

Baby Girl resgata seu casamento e abandona seu álibi.
O ponto é: quem esteve sob o controle de quem?





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