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Do Sofrimento à Compaixão

  • Foto do escritor: Lucas Ávila
    Lucas Ávila
  • 6 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 20 de jan.


Já faz um tempo desde que passamos a constatar a falta de controle sobre o nosso mundo interno - nossas emoções e pensamentos.


Comumente identificadas pelas abordagens contextuais sob o conceito de comportamentos privados ou encobertos, as experiências internas também são uma forma de operar (avaliar, associar, interpretar, mensurar...) e responder à nossa própria realidade a partir da forma como percebemos o mundo.


Dentre todos esses possíveis caminhos, é comum que venhamos a emitir conteúdos de autocobrança e autocrítica


A autocobrança vem da necessidade de atender um nível de perfeição exacerbada, junto de resultados que por vezes, não se enquadram nos recursos que temos à disposição. A premissa está em evitar falhas, dado o bicho homem e sua dificuldade em sentar na cadeira do aprendiz.


O imediatismo anseia pelo resultado, enquanto que a comparação constante retrata o medo da avaliação de terceiros e a possibilidade de rótulos negativos e desfavoráveis. 


O valor do processo de desenvolvimento é sempre descartado. Deixamos de perceber o fenômeno que Carol Dweck - autora de Mindset, a nova psicologia do sucesso - chama de “O Poder do Ainda”, o caminho entre o presente e o futuro.


Errar é humano, mas e eu com isso?





A relação com pensamentos de autocobrança pode sim, ser bastante útil para elaboração de metas, atender objetivos, enfrentar desafios... Mas como tudo na vida, é uma questão de medida. O equilíbrio se faz necessário.


O único ganho em negligenciar uma necessidade de crescimento é a intolerância em lidar com o inevitável: a frustração. E é daí que surge a autocrítica. 


Esta, por sua vez, é uma espécie de "fodedback" exagerado sobre o nosso próprio desempenho. Andando lado a lado com a autocobrança, você pode imaginar a auto crítica como uma avaliação expressamente negativa a seu respeito, levando inclusive à depreciação. 


Imagine a figura de um carrasco ou torturador que visa a punição pelo crime que foi cometido.


"E que não se repita!"



Apesar de tais respostas ou comportamentos virem à tona de forma muito involuntária, os prejuízos são imensos. Aqui você pode experimentar desde:


  • sentimentos de inadequação;

  • baixíssima autoestima;

  • ansiedade e desgaste emocional;

  • até a incapacidade de se satisfazer perante as próprias conquistas. 


Mas então por favor, diga lá, como escapar? 


É preciso trilhar um novo caminho na relação com todos esses Autos. Esse “espelho, espelho meu” que não poupa esforços em te massacrar na ideia de atender um futuro idealizado precisa, deliberadamente, de um diálogo mais amplo, mais complexo.



Vem aí a Auto compaixão.  


Como todo fiel escudeiro(a), o seu poder vem da partilha. De um diálogo interno capaz de promover o do ato de acolher genuinamente a dor da queda. De lembrar que apesar da batalha, a guerra ainda não está perdida. E se de fato estiver, é você quem decide o que aprender com ela. O trunfo da autocompaixão é a capacidade de compreender todas as variáveis para além do resultado. É lembrar de todo o percurso que foi trilhado até o destino final e compreende-lo como um comportamento situacional, sempre sob o controle de determinado(s) estímulo(s).


Quando se perceber sequestrado(a) por tais pensamentos, que tal uma pausa? 


Busque um lugar reservado (nessas horas, até o banheiro salva), feche os olhos, inspire profundamente, contenha o ar nos pulmões por alguns segundos, exale pela boca e em seguida, leia em voz alta:


Sou humano em minha legítima essência. Meus pensamentos não passam de um reflexo do que vivo. Minha mente age com a melhor das intenções, ainda que nem sempre saiba como me ajudar. Reconheço meus limites e aceito que cometo falhas. Delas posso até não me orgulhar, mas com elas me dou o direito de aprender.




A auto compaixão é um espaço seu consigo mesmo que te possibilita uma nova ótica para lidar com erros e imprevistos de maneira mais gentil e acolhedora. É um cuidado verdadeiramente saudável para o seu processo de regulação emocional.




 
 
 

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