Do Sofrimento à Compaixão
- Lucas Ávila
- 6 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2025
Já faz um tempo desde que passamos a constatar a falta de controle sobre as nossas experiências internas - nossas emoções e pensamentos.
Comumente identificadas pelas abordagens contextuais sob o conceito de comportamentos privados, as experiências internas também são uma forma de operar (avaliar, interpretar, mensurar...) e responder ao que se apresenta na minha realidade, sobretudo a mim mesmo e ao que eu produzo psiquicamente a partir de como me sinto.
Dentre todas essas formas de responder de maneira encoberta, também podemos emitir conteúdos de autocobrança e autocrítica.
A autocobrança vem da necessidade de atender um nível de perfeição exacerbada, junto de resultados que por vezes, não se enquadram nos recursos que temos à disposição. A premissa está em evitar falhas, dado o bicho homem e sua dificuldade em sentar na cadeira do aprendiz.
O imediatismo anseia pelo resultado, enquanto que a comparação constante retrata o medo da avaliação de terceiros e a possibilidade de rótulos negativos e desfavoráveis.
O valor do processo de desenvolvimento é sempre descartado. Deixamos de perceber o fenômeno que Carol Dweck - autora de Mindset, a nova psicologia do sucesso - chama de “O Poder do Ainda”, o caminho entre o presente e o futuro.
Errar é humano, mas e eu com isso?

A relação com pensamentos de autocobrança pode sim, ser bastante útil para elaboração de metas, atender objetivos, enfrentar desafios... Mas como tudo na vida é uma questão de medida, o equilíbrio se faz necessário.
O único ganho em negligenciar uma necessidade de crescimento é a intolerância em lidar com o inevitável: a frustração. E é daí que surge a autocrítica.
Esta, por sua vez, é uma espécie de "fodedback" exagerado sobre o nosso desempenho. Andando lado a lado com a autocobrança, você pode imaginar a auto crítica como uma avaliação expressamente negativa a seu respeito, levando inclusive à depreciação.
Imagine a figura de um carrasco ou torturador que visa a punição pelo crime que foi cometido.
"E que não se repita!"

Apesar de tais respostas ou comportamentos virem à tona de forma muito involuntária, os prejuízos são imensos. Aqui você pode experimentar desde:
sentimentos de inadequação;
baixíssima autoestima;
ansiedade e desgaste emocional;
até a incapacidade de se satisfazer perante as próprias conquistas.
Mas então por favor, diga lá, como escapar?
É preciso trilhar um novo caminho na relação com todos esses Autos. Esse “espelho, espelho meu” que não poupa esforços em te massacrar sob a premissa de atender um futuro idealizado precisa, deliberadamente, de um diálogo mais amplo.

Vem aí a Auto compaixão.
Como todo fiel escudeiro(a), o seu poder surge da partilha, do ato acolher genuinamente a dor da queda. De lembrar que apesar da batalha, a guerra ainda não está perdida. Seu grande trunfo é a capacidade de compreender todas as variáveis para além do resultado. É ele quem te impede de esquecer todo o percurso que foi trilhado até o destino final.
Quando se perceber sequestrado(a) por tais pensamentos, que tal uma pausa?
Busque um lugar reservado (nessas horas, até o banheiro salva), feche os olhos, inspire profundamente, contenha o ar nos pulmões por alguns segundos, exale pela boca e em seguida, leia em voz alta:
Sou humano em minha legítima essência. Meus pensamentos não passam de um reflexo do que vivo. Minha mente age com a melhor das intenções, ainda que nem sempre saiba como me ajudar. Reconheço meus limites e aceito que cometo falhas. Delas posso até não me orgulhar, mas com elas me dou o direito de aprender.

A auto compaixão é um espaço seu consigo mesmo que te possibilita uma nova ótica para lidar com erros e imprevistos de maneira mais gentil e acolhedora. É um cuidado verdadeiramente saudável para o seu processo de regulação emocional.





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